Uma noite, no terminal rodoviário de Ancara, Ömer Eren, famoso escritor, vivendo uma crise de bloqueio criativo, testemunha um tiroteio envolvendo um casal de jovens curdos. Uma criança é morta. Abalado pela cena,ele decide se refugiar em Anatólia, onde vivera como militante esquerdista, esperando reencontrar a "palavra perdida". Enquanto isso, Elif, sua esposa, uma cientista de renome, prepara-se para participar de uma conferência na Dinamarca, confiando que a viagem possa ser um reencontro com o filho único, Deniz, em exílio na Noruega desde a morte da esposa, vítima de um atentado em Istambul. São casais que se partiram e que tentam se remontar suas vidas no mundo atual, em meio a conflitos íntimos e políticos.
Palavra perdida é também uma ode à palavra, à língua como meio de compreender o outro, como expressão e forma de unir a humanidade. Uma alusão aos nossos ideais, às nossas esperanças de um mundo melhor. O enredo, que se desenrola através da vida e da tragédia de um jovem casal curdo, mostra a violência envolvida na tentativa de dominar uma língua e de uma cultura. A autora demonstra como a perda ou a supressão da palavra representa uma das formas mais cruéis de violência que podem ser imputadas a um indivíduo ou a um povo. Ela fala ainda sobre as formas de violência do mundo moderno desde a dissecação de cobaias em laboratório, a imposição de nossos valores às crianças, atentados e guerras étnicas. Oya Baydar ausculta com acuidade incomum a relação entre Pais/Pátria e seus filhos, quer tocando na angústia de famílias desgarradas, quer tomando a palavra dos curdos, vítimas de opressão na Turquia.
Oya Baydar, considerada uma das maiores expressões da literatura turca contemporânea, nasceu em 1940, em Istambul Formou-se em Sociologia pela Universidade de Istambul; foi depois professora de literatura nesta mesma universidade. Nos anos 1960, dedicou-se apenas ao trabalho político, sendo uma das fundadoras do Partido Trabalhista. Ativista de esquerda, foi presa e condenada. Após a libertação, refugiou-se na Alemanha até 1992. Atualmente mora em Istambul, onde milita em organização pacifista. .Recebeu vários prêmios literários de prestígio, entre eles o Sait Faik e o Orhan Kemal. Palavra perdida, considerada sua obra-prima, já ganhou publicação na Alemanha, Hungria, França e Estados Unidos.
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